abril 11, 2010

Remédio para todos os males

Trabalhar na área da saúde: um privilégio

Caros leitores, hoje escrevo para todos os técnicos de saúde, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos, médicos, psicólogos,...
Quando paro e penso no meu trabalho considero-me uma privilegiada. Quem trabalha em saúde tem o privilégio de assistir à caminhada do ser humano em momentos marcantes da sua existência. No dia a dia somos como cebolas andantes, cheias de capas e máscaras. No entanto, quando estamos doentes, baixamos todas as armas, todas as defesas e somos nós, para o bem e para o mal. Quem trabalha na saúde "bebe" o ser humano em todo o seu esplendor, em toda a sua verdade. É a vida a saltitar.
Ao longo do tempo tenho começado a perceber algo de mágico que os doentes sentem em momentos de gravidade. Uma serenidade, um bater contra a parede que lhes revela o segredo da vida, que os faz tomar consciência, que os faz apreciar o belo, o verdadeiro, o essencial. Cria-se um fosso entre os que sofrem este abanão e os seus próximos. E nós, profissionais de saúde, estamos presentes. Podemos ser espectadores desatentos ou alunos da vida.  E para aqueles que lidam diariamente com a vida e a morte, uma mensagem, uma palavra de coragem: mais do que ser heróis do impossível, muitos doentes esperam de nós o conforto, o carinho e um sorriso nos seus últimos momentos de vida.
Procuremos ser humildades e sedentos de aprender, com os nossos pacientes e a nossa vida terá certamente muito mais cor.
Um agradecimento muito grande a todos os meus pacientes que comigo vão partilhando e me ensinam a viver.

março 31, 2010

Intervir: porquê e para quê?

Podendo já o ter abordado em algum momento e correndo o risco de me repetir, hoje dedico este pequeno post a um tema de grande importância e que mais do que informar tem como objectivo motivar uma reflexão séria.
Gosto muito, e considero importante realizar tratamentos pre-operatórios, isto é, sessões com um objectivo de melhoria da condição de uma articulação para depois ser submetida a uma intervenção cirúrgica. É importante e facilita o pós-operatório. No caso de uma ligamentoplastia, o facto de um joelho ir mais forte, mais estável, com melhor mobilidade facilita a reabilitação após a intervenção. É igualmente um momento de preparação psicológica e de ganho de confiança. Permite ao doente perceber o que se vai passar a seguir e  dominar os exercícios que numa primeira fase terá de realizar. Contudo, deixa-me um pouco frustrada quando inicio determinados tratamentos convencionais, com o objectivo de evitar uma cirurgia e o doente já vem mentalizado para a intervenção. Quer ser operado e não investe num processo que o poderia retirar do bloco operatório. 
Primeira grande questão, se o objectivo é impedir a cirurgia é necessário que se esteja de corpo e alma, porque isso influência grandemente o sucesso dos tratamentos. Segundo, numa era em que a alteração do estilo de vida é uma proposta inevitável assim como o acolhimento proactivo das recomendação e exercícios a realizar em casa, não estar a 100% significa que não se está disposto a entrar na corrida contra o problema. 
Perguntam vocês nesta fase o que tem tudo isto a ver com o título do post. Na minha humilde opinião, muitas das cirurgias realizadas em ortopedia poderiam ser evitadas com um bom tratamento e o investimento pessoal do doente de que falo atrás. Uma cirurgia não é, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a certeza que tudo vai ficar bem. Uma intervenção cirúrgica não é um procedimento inócuo. Tem muitas implicações na saúde em geral porque vamos intervir num corpo que tem uma capacidade incrível de auto-regeneração. Quando entramos modificamos o meio e alteramos as leis do jogo. Assim sendo, a cirurgia deve ser em muitos casos, a última opção. 
É necessário pesar bem os prós e os contras e descartar as soluções mais inócuas. No caso da coluna, porque operar uma escoliose de um adolescente se este não tem dores nem esta comprometido o funcionamento de orgão algum? Fixar vértebras e vértebras para quê? A seguir a fisioterapia pouco poderá fazer para aliviar as dores que vão aparecer por anularmos algumas articulações intervertebrais deixando outras a trabalhar demais para compensar. Porque operar todas as hérnias discais? Algumas delas estiveram presentes tanto tempo sem sabermos. Um dia tivemos uma crise, fizemos um exame e pronto, temos de acabar com ela. Se após os tratamentos, ficarmos sem dor, com a sensibilidade e acção motora normal  porque operar? Quantas vezes alguns anos após a remoção de uma hérnia esta volta a aparecer noutro sítio?

Permitam-me uma crítica social, uma crítica a uma sociedade na qual me incluo e pelo qual também tenho o direito de criticar. Queremos tudo rápido, tudo simples, tudo fácil. A reabilitação exige o nosso tempo, o nosso dinheiro, o nosso esforço. Como eu costumo dizer aos que por mim vão passando, é uma maratona, não uma corrida de velocidade. Será que vale a pena?

Quantas catástrofes o Homem já provocou por tentar alterar a natureza? O nosso corpo faz parte da natureza. É necessário resistir à tentação de provocar alterações que não saberemos controlar.

março 17, 2010

As linhas da globalidade - RPG


Na semana passada estive numa formação avançada de RPG articular com o próprio mestre Philippe Shouchard o que me motivou a escrever. 
Uma fotografia vale mais do que mil palavras, sem dúvida. Esta imagem é de um pescador de Tavira que numa tranquila tarde de domingo tenta "desembaraçar" as suas cordas. A natureza, o Homem nas suas actividades traz-nos imagens excelentes para explicar a realidade. A intuição do senso comum em todas as suas limitações é um grande ponto de partido para a ciência.
Uma lesão ocorre no nosso organismo. O nosso corpo, munido de autonomia tenta a toda o custo fazer adaptações para impedir que todas as lesões cheguem ao consciente. Se cada um de nós tivesse percepção de todas as agressões diárias a vida seria impossível. Seria demasiada informação a processar e a gerir. Morreriamos de stress. O corpo protege as suas hegemonias (funções vitais) e só quando já não consegue mais esconder carrega no botão da dor e informa o sistema central de que o problema fugiu do seu controle. Exactamente como no funcionamento de uma empresa. Os funcionários vão resolvendo os pequenos problemas diários, reportando apenas à Direcção os problemas "major".
O que acontece é que nessa altura a lesão já se transformou numa emaranhada corda de pesca. Não basta tirar um nó, é necessário pesquisar, perceber o trajecto da corda na sua globalidade. Esse é o trabalho a que a RPG se propõe.
No Verão seguinte a ter terminado o curso estive a trabalhar numa clínica de Vila Real de Santo António e guardo com carinho algumas expressões: "parece que tenho aqui uma linha que vai por aqui e por aqui e por aqui"; "melhorei deste ombro mas agora a dor saltou para o outro".
Há muito tempo que o senso comum o sabe, quanto tempo demorará o sistema a reconhecê-lo?
Quando deixaremos de funcionar numa base reducionista de entrar numa clínica para tratar um pulso sem perceber que o aparececimento de uma dor no ombro desse lado tem relação e tem de ser tratado, investigado? Os valores que os seguros, as ARS, a ADSE pagam por tratamento de fisioterapia, a inexistência de entidades que regulem a qualidade dos serviços prestados pelas clínicas e todos os profissionais da reabilitação, o deficitário trabalho em equipa, o desconhecimento das chaves que cada um dispõe para resolver o problema do doente, entre outros, são graves ameaças a que se produza um trabalho de qualidade.

fevereiro 26, 2010

O Stress

Como dizia um professor do meu curso de Osteopatia, o stress é o conceito mais falado do momento mas o menos compreendido. Falamos de stress mas não compreendemos o que ele despolta no nosso organismo e até que ponto poderá provocar alterações estruturais no que somos. Sente cansaço, irritabilidade, palpitações, têm lesões frequentes, o seu coração tem uma frequência acelerada quando termina as refeições, dores de estomâgo frequentes...
No fundo o stress corresponde à tensão a que o nosso organismo é submetido para encontrar um novo equilíbrio quando é agredido. E de que tipo de agressões falamos? Cada um identifica muito bem as suas situações. Há situações que transtornam todos como um chefe intragável, um filho perturbado, o desemprego, uma situação de tragédia como a que se passou na Madeira ou no Haiti. Existem ainda choques climatéricos como a emigração para um país com um clima subtancialmente diferente que constitui uma agressão muito violenta para o nosso sistema neurovegetativo (sistema autónomo, "inconsciente"). Depois temos traumas físicos como uma fractura, uma anestesia geral ou mesmo um parto.
O stress faz parte do nosso meio. Vivemos entre situações de stress e situações de ausência de stress. É normal. No fundo esse é o veículo da evolução do ser humano e da vida, essa é a metolologia do treino desportivo e é também a balança em que cada um individualmente se encontra.
A questão é: vivemos esse equilibrio? Ou já o sacrificámos há muito para atingir objectivos de sucesso profissional e pessoal que não estavam ao nosso alcance. Diariamente convivo com pessoas cujo stress se vai somatizando nos seus músculos, nas suas fáscias, nos seus tecidos. As dores surgem e depois fechamos a cortina do inconsciente e tentamos perceber como apareceram...
Aqui fica o convite a que façamos pequenas pausas para perceber se somos nós que dominamos o stress ou é ele que nos domina a nós.
E como diz um dos meus sábios caseiros, se não podemos controlar conscientemente o stress gerado pela nossa personalidade, podemos ir controlando outros factores para equilibriar as agressões. Coma bem, faça exercício, procure ter momentos em que simplesmente faz coisas que lhe dão gozo.
A mim dá-me gozo fotografar. Partilho aqui a foto de uns pavões num momento de pausa e relação.

fevereiro 08, 2010

Os nossos "avós"

A minha vida profissional, embora pautada pela instabilidade, tem sido um arco-íris de experiências que me enchem e me têm ajudado a crescer como pessoa e como fisioterapeuta. Nesta fase inicio um novo projecto relacionado com a psicogeriatria, as demências, centrado num trabalho em equipa e numa aposta revolucionária de abordar aqueles que são as nossas referências, as nossas memórias vivas, os "avós".
Assinalando este projecto, deixo a letra de uma música da Mafalda Veiga, para abanar as mentes. Desafio comentários sobre este tema, relatos de vivências que vos tenham marcado.



Parado e atento à raiva do silêncio
de um relógio partido e gasto pelo tempo
estava um velho sentado no banco de um jardim
a recordar fragmentos do passado
na telefonia tocava uma velha canção
e um jovem cantor falava da solidão
que sabes tu do canto de estar só assim
só e abandonado como o velho do jardim?

o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

passam os dias e sentes que és um perdedor
já não consegues saber o que tem ou não valor
o teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
pra dares lugar a outro no teu banco do jardim

o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao teu lado a olhar-te com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um resto de tudo o que existiu
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

passam os dias e sentes que és um perdedor
já não consegues saber o que tem ou não valor
o teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
pra dares lugar a outro no teu banco do jardim
o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao teu lado a olhar-te com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um resto de tudo o que existiu
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

Perceba melhor os seus músculos (parte II)

Começo por pedir desculpa aos meus queridos leitores por ter passado tanto tempo desde o último post. Tenho andado em mudanças profissionais, mas de forma alguma pretendo deixar de dar continuidade a este blog. Podem continuar a contar com as minhas sugestões e divagações. Eu continuo a contar com os vossos comentários.
Vamos então para a segunda parte do tema músculos. Como escrevia no primeiro post existem as fibras tipo I, tónicas, lentas, resistentes e conhecidas do público sob o nome de Vermelhas e as fibras tipo II, fásicas, rápidas, pouco resistentes e com o nome artístico de Brancas.
Durante muitos anos a Fisioterapia tem-se preocupado com o fortalecimento concêntrico (em encurtamento) dos músculos. Se esta preocupação é benéfica no que concerne os músculos fundamentalmente dinâmicos, o mesmo não acontece com os músculos mais estáticos. Ao trabalhar o encurtamento de músculos que por defeito já têm essa tendência, estamos a contribuir para diminuir a sua eficácia, aumentar o risco de lesão e de patologia articular por aumento do achatamento das articulações. Procurando trocar isto por miúdos para o senso comum. Se uma articulação sofre de uma artrose, existindo por isso uma destruição parcial das supercificies que se articulam e uma dificuldade em produzir movimento, se os músculos estáticos ainda diminuirem o espaço articular, a dor será inevitável. Imagine uma dobradiça sem óleo. Muitas vezes levantamos a porta, para abrir espaço na dobradiça e conseguir abrir/fechar a porta. Nada mais do que um alongamento da musculatura estática que está a causar problemas.
A Reeducação Postural Global (RPG) é um conceito revolucionário, não só pela sua perspectiva global, mas porque reflete sobre a importância da função estática e procura abordá-la na sua especificidade.
Conclusão? Não se tratam colunas com fortalecimento concêntrico da sua musculatura estática, mas com alongamentos, posturas de alogamento, tracção, libertação da camisa de forças em que a nossa função estática se pode tornar.

janeiro 19, 2010

Anti-inflamatórios? Não obrigado.

A auto-medicação é uma práctica altamente perigosa. É de conhecimento geral que a medicação tem também o nome de drogas. A única diferença em relação ao que associamos a este nome é que a maioria não causa dependência. Contudo, os medicamento têm muitos efeitos secundários e estes não devem ser esquecidos quando, com leveza, fazemos uso deles. Uma leitura na horizontal da bula é suficiente para perceber que as famosas pastilhas não são criaturas assim tão inócuas.
A quantidade de anti-inflamatórios ingeridos dispara entre os atletas e a faixa etária mais avançado, mas a sua utilização indiscrimidade é quase um fenómeno social.
Os anti-inflamatórios aportam ao nosso organismo prostaglandinas, responsáveis pela diminuição da inflamação, contudo inibem igualmente a producção desta substância pelo nosso corpo. Outro efeito catastrófico é ao nível do estomâgo. Gastrites, úlceras, hemorragias gástricas, entre outras, são  um conjunto de doenças a que nos expomos.
Anti-inflamatórios em pomada? Esqueça, para ter efeitos teria de utilizar 3 pomadas por dia...
Anti-inflamatórios? Não obrigado, só se responsavelmente prescritos por um médico.
Em substituição o que pode fazer?

Para diminuir a dor tome medicação exclusivamente analgésica como o paracetamol, nas dosagens correctas. Fale com o seu médico ou farmacêutico. Leia as bulas. Depois poderá abrir os seus horizontes e explorar medicamentos homeopáticos como a arnica, um anti-inlamatorio sem os anteriores efeitos secundários, que está disponivel nas farmárcias em granulado e em pomadas.

Notas: Para não tornar este post demasiado exaustivo, fiz uma abordagem muito simples. No entanto, devido à importância deste assunto sugiro que perca alguns minutos na internet a investigar. Estou disponivel para responder a questões.

janeiro 09, 2010

Perceba melhor os seus músculos (parte I)

Todos sabemos que os conhecimentos que hoje dispomos são limitados e redutores. Em ciência os conceitos são verdadeiros até ao dia em que se prova que são falsos. Isso não me choca. É a vida. Vamos fazendo uma aproximação lenta à verdade. Dá  interesse à vida porque torna tudo dinâmico, vivo, palpitante.

O que me incomoda verdadeiramente é que a ciência evolua e no dia-a-dia continuemos a utilizar os conceitos que estão ultrapassados.

Hoje gostaria de falar um pouco sobre os nossos músculos, as suas fibras e a aplicabilidade deste conceito. É um bom exercício para leigos e não leigos na materia.

É de conhecimento geral que os nossos músculos são constituidos por fibras musculares. Existem diferentes tipos de fibras, com diferentes caracteristicas. Vou-me permitir ser grosseira e utilizar apenas a classificação mais simples.
Existem as fibras tipo I, tónicas, lentas, resitentes e conhecidas do público sob o nome de Vermelhas. Depois temos as fibras tipo II, fásicas, rápidas, pouco resitentes e com o nome artístico de Brancas. Os músculos são uma mistura das duas, mas existem predominâncias. Os músculos da estática, músculos destinados a estabilizar para que outros possam produzir movimentos apresentam uma maioria de fibras tipo I. São estes por exemplo os pequenos músculos da nossa coluna, os músculos posteriores da coxa entre outros. São músculos pouco fatigávies pois estão sempre a trabalhar, mesmo quando estamos parados, em pé ou sentados. Os músculos dinâmicos, destinados a produzir grandes movimentos têm uma maioria de fibras tipo II.

E porque vos canso com estas questões teóricas? Porque esta é uma informação que conhecemos há tanto tempo e que temos infantilmente desprezado na nossa práctica clínica e no exercício. Porque estudar um semestre este assunto se ele depois não é tido em consideração na nossa prática?
Não ensinamos uma criança a nadar colocando-a numa bicliceta, do mesmo modo não ensinamos os músculos predominantemente estáticos a estabilizar fortalecendo-os com exercícios dinâmicos. Pelo contrário, estamos a tornar estes músculos que têm uma grande tendência para o encurtamento, ainda menos flexíveis e cada vez mais encurtados. E é assim que aparece a patologia articular.

Deixemos de tratar colunas como se fazia do século passado, com lombares, abdominais à tropa, calor e massagem!

O exercício tem feito um esforço muito interessante neste sentido com a introdução do treino do core.
Depois desta explicação deixo uma imagem dum exercicio que espero nunca ver um leitor deste blog fazer. Não só pela fisiologia muscular mas também pelo respeito das nossas curvaturas, pelo respeito da biomecânica!! Quantos de vós sentiram dor após este exercício?


Qual o interesse de estimular a hiperlordose?
Deixo-vos com algumas imagens de exemplos de exercícios muito interessantes. Se não tem patologia procure um bom profissional do exercício que lhe explique o que é o treino do core. Se já tem dor ou alguma patologia diagnosticada, procure um fisioterapeuta.


janeiro 02, 2010

Afinal o que é a Osteopatia?

Foi interessante a reacção ao post anterior. Não, não somos seres assim tão tão racionais. São os assuntos que tocam os nossos sentimentos e emoções, que beliscam a nossa hierarquia de justiça que nos abanam e nos mobilizam.

Aproveito para desejar que encarem este ano como um início. Somos tantas vezes copos que só necessitam de uma gota de água para transbordar, nas nossas relações, nos nossos trabalhos. Vamos deitar toda a água fora e começar de novo. Boa sorte. Bom percurso de mudança.

Falando sobre mudança, hoje gostava de abrir um pouco a janela deste tema "Afinal o que é a Osteopatia?", de uma forma muito simples e muito minha.
Muitas pessoas pensam que os osteopatas são uma especie de endireitas mais sofisticados, outros que é algo que só se procura se os "seguríssimos" métodos tradicionais não funcionarem, outros recorrem mas às escondidas dos médicos porque esta é uma terapia "alternativa" e como alternativa não é bem aceite pela comunidade científica e depois os médicos podem ficar chateados... E você que está a ler este post, o que pensa?

A Ostepatia é uma abordagem terapeutica muito interessante, que ao contrário do que se pensa não tem nada de alternativo ou de ilícito. É uma abordagem bem suportada teoricamente e que necessariamente vai crescer em Portugal e na Europa. Por exemplo nos EUA ninguém acha estranho que se recorra aos quiropratas ("primos dos osteopatas"). O grande problema é que a ciência e a medicina rotulam as coisas que conhecem e dominam como boas e as outras... É verdade, falta passar o teste do método experimental, embora já tenha passado o teste dos doentes. Contudo, trata-se de um ciclo vicioso. Não é reconhecida, não é praticada em contexto clínico, não há apoios nem motivação para "perder" horas a escrever papers sobre o assunto.

E pronto, já fugi do tema. Vou utilizar um pequeno exemplo. Imaginemos uma fábrica cheia de trabalhadores, uma empresa, o nosso local de trabalho. A estrutura desta empresa são os trabalhadores. Em todos os trabalhos existem sempre os que trabalham mais e aqueles que se baldam um pouco. No final o trabalho aparecerá necessariamente feito porque os mais trabalhadores vão compensar o trabalho que deixou de ser feito pelos preguiçosos. Quem tem mais desgaste? Os trabalhadores exemplares. Um dia este sistema de equilíbrio entra em falência e começam a surgir os problemas. Os empregados não são mais do que os componentes do nosso corpo, por exemplo as articulações entre as nossas vértebras. Onde aparecerá a dor? Nos trabalhadores que mais trabalham. O que faz a Osteopatia? Como um patrão, circula pela empresa procurando encontrar os trabalhadores preguiçosos e colocando-os a trabalhar. Um novo sistema de equilibrio se inicia, porque no final de contas o grande objectivo e o trabalho final, potenciar o movimento do nosso corpo e eliminar a dor.

Um dos primeiros lemas da Osteopatia é "find it, fix it and leave it alown". Encontra a lesão, trata-a e deixa-a que o corpo fará o resto do trabalho. É por isso que na Osteopatia não existem tratamentos diários. O nosso corpo é o principal médico dele mesmo, só precisa de ajudas pontuais. Assim sendo, os profissionais de saúde deveram ser mais facilitadores de saúde e menos intervencionistas.